quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Impressões

Impressões que os recentes eventos que têm repercutido nas mídias e redes sociais me causam:

1 - Pessoas não concordam em algum grau com o sistema (seja politicamente, seja moralmente, seja metodologicamente...). 

2 - Elas enxergam no máximo dois lados nas histórias. Isso quando conseguem ver algum lado diferente do seu.

3 - Agressividade, intolerância e um imenso individualismo são marcas registradas do homo sapiens  (to pra dizer que esse último gera os outros dois, e uns 95% de todos os outros problemas da humanidade. Os 5% restantes são limitação técnica/genética mesmo).


4 - O mundo não tem salvação. A não ser que alienígenas com poderes mágicos (ou seja, que não obedeçam nossas "leis" da física) apareçam e nos obriguem a evoluir. Algo como conseguir barrar determinadas reações.

5 - Deveria focar minhas energias pra me mesclar com algum grupo de chimpanzés. A capacidade de processamento do cérebro humano é insistentemente usada para fins paunocusistas, e essa brincadeira já perdeu completamente a graça.

Era isso, pra tentar tirar rapidamente as teias de aranha do blog.

Há braços.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O caso das bikes

Estamos vivendo um período de aceleração da morbidade urbana no Brasil.

Cada vez mais casos incompreensíveis acontecem, como professor sendo esfaqueado por reprovar aluno, centenas, milhares de pessoas assassinadas anualmente por motivos mais torpes possíveis. Aliás, às vezes nem precisa ter motivo pra matar, simplesmente mata. Sem contar a constante falta de educação em diversos casos (trânsito, restaurantes, bancos, etc).

Aí acontece o caso do sr. Ricardo Neis. Talvez alguns venham dizer "ah, mas poucos sabem exatamente o que aconteceu". Bom, então vamos usar a lógica. O movimento Massa Crítica (http://massacriticapoa.wordpress.com) tem objetivos bem claros, ao meu ver: demonstrar que o trânsito não é só dos carros (como, aliás, está descrito no CTB e, portanto, é legalmente de todo tipo de veículo de propulsão, seja humana, animal ou mecânica). O movimento não é formado em versão de confronto, tanto que não possui estrutura hierárquica. O formato é de conscientização, reflexão. Simples.

Agora, uma pessoa que tem o seguinte histórico: três processos por ameaça e agressão física, além de multas de trânsito por excesso de velocidade, trânsito na calçada, na contramão, em marcha ré e por conversão proibida, segundo o Ministério Público do Estado (fonte: www.estadao.com.br) e atropela pessoas que pedem justamente mais harmonia no trânsito, alega que foi atacado? E que só queria defender ele e o filho dele? Isso é uma afronta pra minha inteligência! Tá querendo tirar todo mundo pra idiota!
Nenhum cenário possível esse cara foi "agredido" primeiro. O mais ameno que pode ter acontecido é ele ter tentado forçar passagem pelos ciclistas, que se negaram e lhe fecharam a frente. E aí ele começou a ir pra cima, encostar no pneu dos que lhe fecharam, buzinar, xingar, etc. Ele teria a mesma coragem se estivesse dirigindo um caminhão e vários carros lhe fechassem a frente? Tocaria por cima também?

Pra quem defende que os carros devem ter a preferência no trânsito, e que bicicletas, carroças, motos,  ônibus e caminhões, entre outros, devem ser banidos ou limitados nas vias, leiam o post do Samamba aqui e vejam também o vídeo ao final do texto, sobre como funciona em algumas cidades na Europa. Acho que o exposto por ele reflete (e acrescenta) muito bem a visão que tenho sobre o dilema que nossa sociedade se encontra.

Aliás, ser a favor de carros em detrimento de tranposte público de massa e/ou meios de transporte de agressão ambiental quase nula já é um indício de que a pessoa não sabe o que é pensar na evolução coletiva.

E, pra tentar fechar e resumir a idéia do texto: cada vez mais as pessoas (e principalmente os brasileiros das cidades grandes) se obrigam a viver uma vida para o dinheiro, para as posses, em vez de simplesmente aproveitar a vida. E, nesse processo, a maioria está enlouquecendo ou definhando. Só me pergunto: a troco de quê?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Divagações religiosas


 Segundo as origens que nos foram obrigadas a aceitar sobre o Deus bíblico, este seria o único todo o sempre. O que nos faziam acreditar é que o deus único, onipresente, onipotente e onisciente sempre existiu, e somente ele. Ou seja, os outros deuses eram negados, como se nunca tivessem existido.

Mas, segundo algumas descobertas recentes, talvez isso tenha sido diferente... o deus Javé teria sido parte de um panteão, tão logo “apareceu” na história do mundo (apesar de ser o Criador, único e incontestável)

E o mais interessante: ele não só “eliminou” todos os outros deuses, como incorporou suas características/funções.

Com isso, lanço duas perguntas: Javé é um deus megalomaníaco e castigador? Ou nos fazem crer que ele é assim?



Questionamentos

A primeira pergunta é impossível para um mortal responder. Ou pelo menos é impossível que um mortal me faça acreditar na resposta: apenas o próprio Javé, se existir, é quem pode responder. Se ele for megalomaníaco e castigador, como a Bíblia e as religiões derivadas dela indicam, eu to fudido, porque por mais correto que eu seja, mais justo e respeitoso, mais humilde e bondoso, basta eu não acreditar em sua existência (por falta de provas) que eu vou direto pro inferno. Sem desculpas. Sem escalas. “Ou está do meu lado, ou está contra mim”.

Se ele não for assim, eu tenho chance de não arder no mármore do inferno, afinal se ele é quem nos criou e sabe o projeto defeituoso que é o ser humano (estatisticamente falando), vai entender os motivos da minha dúvida: Ele existe ou não?

Bueno, não respondida a primeira pergunta, vamos para a outra, que é a que eu mais tenho material para argumentar: nos fazem acreditar que ele é assim?

A resposta é... tcha na na nan! Sim! Mas por que sim? Por que transformar uma coisa mágica, um ser que deveria ser inspirador, infimamente superior a nós em todos os sentidos em algo tão limitado e intransigente?

Por quê? Porque é da natureza humana! Nada pode ser superior ao homem, até mesmo quem é, por definição nossa, superior! Difícil entender? Tentarei explicar nos próximos momentos.

Vamos brincar de deus?

A história segundo a Bíblia indica que existia um povo “escolhido”. Eles, dentre todos os outros seres humanos é que eram os escolhidos por Javé. Legal né? Começamos com o primeiro absurdo. Dentre tantos povos, dentre tantas culturas, uma era a escolhida! Agora imagina você, se criasse alguma espécie à sua imagem, “abandonasse” (no sentido de acompanhar ela, mas sem se apresentar a eles) essa espécie por um tempo, pra ver no que dava, sabe? Aí essa espécie se espalha no mundo, vão pra vários cantos, formam vários núcleos, vivem de formas diferentes nestes locais, etc e tal. Então você resolve, do nada, chegar e escolher um desses núcleos pra aparecer só para eles e dizendo “Vão atrás de todos os outros e digam a minha vontade. Eu só vou aparecer pra vocês, façam os outros acreditar. E quem não acreditar vai para um lugar cheio de dor e sofrimento. Quem não seguir vocês vai ter uma vida eterna de dor e sofrimento após a morte”. Ah, sendo que você já havia dado o livre-arbítrio na criação. Mas quer que sigam sua vontade.



Putz, super gente fina! Não parece meio surreal uma coisa dessas? Bom, vamos voltar ao exercício de imaginação. Você mandou lá seu povo escolhido. Beleza. Eles vão e as coisas não saem muito certo, afinal do nada alguém chegar botando o dedo na cara dos outros e dizendo “nós somos os escolhidos, esqueçam seus deuses, só o nosso é o verdadeiro. Ou serão castigados”. Qual a reação mais óbvia para os outros povos? “Rá! É pegadinha do malando?”. Obviamente você (criador) vai ficar muito irado por causa disso, afinal, como eles podem negar a sua existência sem você nunca ter se mostrado a eles? Como podem não acreditar no povo que você escolheu? Aí você começa a castigar geral. Afinal, você criou essa espécie (ponto). Eles devem ser seus súditos! Mesmo sem nunca aparecer pra eles, eles devem saber que você existe!

Criador e criatura(s), uma relação complicada?

Aí eu lembro do cachorro da minha namorada, que tem um certo probleminha de ansiedade e energia não gasta. Como todos sabem, os cachorros têm seus instintos, seus gostos, etc e tal. Colocar um pano pendurado na frente de um cão e sair da vista dele, por mais treinado que ele seja, em 99% dos casos você irá voltar e ele terá arrancado o pano, e provavelmente estar rolando pra lá e pra cá com esse pano, faceiro, faceiro.

Olha, se você sabe do que um cão é capaz de fazer, do tipo de coisas que não se podem deixar ao alcance deles, você logo aprende a deixar estas coisas em lugares seguros. Se você nunca ensinou seu cachorro a fazer xixi no lugar certo, ele irá fazer onde melhor lhe convir. E você sabe isso só observando ele, você não o projetou!

Onde eu quero chegar com isso? No fato de que a história de um deus único e nos moldes bíblicos é completamente absurda! Ele é uma intensa contradição. Como é possível algo que nos cria, que exige nossa obediência e nossa eterna devoção nunca se apresentar? Ou se, como dizem, apresenta-se de formas “misteriosas”, como ele poderia nos cobrar que entendamos isso? Fé cega? Cada um pode interpretar de uma maneira diversos sinais diferentes! Como saberemos que a interpretação está correta? Só depois de mortos, quando, segundo o que nos fazem crer, não há mais volta? Então esse deus não é misericordioso, amoroso, piedoso etc e tal. Ele está mais para um Loki.



Deus (Javé) = criação humana?

Os homens criaram toda essa imagem de deus, todas estas distorções. Tentam vender a imagem de um ser supremo que teria nos criado para sermos instrumentos dele, porém o que se vê é um deus que é instrumento da vontade de alguns homens!!! Uma das instituições mais perversas e intransigentes da história é a Igreja Católica! Ou vão dizer que as Cruzadas, a Inquisição e tantas guerras de cunho “santo” são coisas justas, honradas e que eram a vontade de deus? E esta instituição teve filhos, muitos filhos... alguns são um pouco melhores que a mãe, mas temos diversos bastardos que são ainda piores! Sim, me refiro às Igrejas “Universais”. Estas são tão absurdamente ridículas, tão descaradamente golpistas que me admira que alguém dê bola pra isso. E adivinhem só: mais uma vez essa nossa grande faternidade humana me surpreende... tem MUITA gente que não só acredita, como defende cegamente.

Pilares da humanidade

Com isso eu consigo entender um pouco melhor a situação que lancei em outro tópico, de não entender por que alguém precisaria de US$ 20 bilhões. A resposta é simples: não precisa dessa quantia. O prazer está em saber que esta pessoa está tirando de milhares a oportunidade de viver decentemente, de viver num mesmo nível. É assim que muitos humanos funcionam. As pessoas possuem uma insegurança e uma vontade de se sentirem (e acreditarem que são) superiores tão grande que não se esforçam para ser superiores aos outros, mas sim tentam fazer com que os outros sejam inferiores. Em outras palavras, em vez de procurar suas falhas e dificuldades e tentar superá-las, parece mais fácil explorar os defeitos e dificuldades dos outros para que estes se tornem seres “piores”. Assim, se garante a superioridade pelo método de diminuir a média dos indivíduos, e não em aumentar a sua capacidade acima da média dos demais.

Aí que entra o que eu acredito ser a essência perversa do humano, e que poucos parecem conseguir lutar contra. É por causa dela que políticos quando chegam ao poder não lutam pelo povo, pelo país, mas sim por seus próprios ideais. Pra que ser um humano melhor, se tirando dinheiro da educação, da saúde, das estradas eu posso viver uma vida de rei? E ainda deixo uma imensa massa se matando pra apenas sobreviver, garantindo que minha situação não irá mudar tão brevemente.

Para tentar fechar: as religiões são instituições criadas pelo homem. Se existisse algo sobrenatural, algo que somente uma divindade fosse capaz de fazer dentro de um templo/igreja (tipo uma “luz eterna” dentro de uma caixa isolada), até poderíamos acreditar que elas são aprovadas por deus, ou pelos deuses. Mas não existe nada. Toda e qualquer manifestação de aceitação total das normas e regras dessas religiões expressam uma fé cega, uma falta de senso crítico da realidade.



Acreditar em que(m)?

Como podemos acreditar em instituições criadas pelos seres humanos e que são creditadas a entidades superiores? Como podemos acreditar em porta-vozes da vontade divina, se não há uma só confirmação das divindades do tipo “nomeio tal pessoa como meu porta-voz”. São todos auto-proclamados, ou proclamados por um coletivo humano. É algo que agride minha capacidade de raciocínio ouvir um padre ou pastor falar em vontade divina. Me ditar regras. Dizer o que eu devo fazer. E ainda saber que esta pessoa vive uma vida tranqüila e sem ter que travar muitas batalhas como o resto da população justamente porque explora a imagem de um deus, e é disso que tira o seu sustento.

Outra afronta é a de dizer que um deus exige doação de parte da renda suas criaturas. Peraí, o cara tem o poder de criar uma espécie tão complexa como a nossa, criar rios, florestas, montanhas e animais mas não para se sustentar? Aliás, que serventia tem o dinheiro para um deus? Será que é algo tão difícil perceber que isso é extorsão? Esse dinheiro só serve aos interesses dos sacerdotes, é tão difícil visualizar isso?

Para terminar, deixo claro que o meu problema, minha rixa, não é com a existência de um deus único, ou de vários deuses. A complexidade da vida, da natureza e até das coisas “mortas” é tão grande que me faz acreditar que exista uma entidade superior. Seja ela apenas uma força, seja ela um ser com nome, CPF, endereço e telefone fixo para contato. Minha briga, minha irritação e minha inconformidade é com as religiões e com quem as coordena, com quem tira seu sustento da boa vontade alheia ao incutir uma fé em algo baseado em inverdades, em um sistema de perpetuação de poder e dominação. Se eu fosse um deus, mandaria estas pessoas diretamente para o inferno.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Feliz 2011?

Lá vamos nós, para mais um ano.

E lá vou eu para a continuidade da preocupação com nossos rumos...

Fui passar a virada de ano em minha cidade, uma dessas de pouco mais de 20mil habitantes. Em lugares assim acontecem coisas que o povo da capital jamais poderia imaginar. Como, por exemplo, de eu cortar o cabelo com o Barbeiro, vereador mais votado da cidade nas duas últimas eleições. Coisa que eu já fazia desde pequeno (à época ele era só barbeiro), quando ia com meu pai cortar o cabelo.

Aí eu volto pra Porto Alegre e no supermercado que eu vou toda semana eu não conheço nenhum funcionário. Sem contar que o tratamento parece impessoal, tu é apenas uma coisa passando na frente do caixa na maioria das vezes.

Sei lá, eu me incomodo com isso... essa frieza, essa correria, essa barulhera, esse stress que o povo anda vivendo.

Ainda mais quando eu sei que as pessoas se fuuuuu legal, o dia inteiro, a semana inteira, o ano inteiro, pra que? Pra sustentar o padrão de vida milionário de alguns pangarés. Existem um monte de pesquisadores que se preocupam em saber "o que o choro feminino causa na libido masculina", "morar com o parceiro sem estar casado causa mais depressão", e não pesquisam coisas como "quantos pessoas precisam se f**er para manter o padrão de vida de um milionário".


Aliás, uma coisa que eu não entendo é por que alguém precisa ter US$ 20bi. Que produto essa pessoa vai deixar de comprar se tivesse "apenas" US$ 10bi? Eu não entendo pra quê chegar a uma cifra dessas. Falando sério. Até onde eu sei, a grosso modo, o dinheiro serve para "comprar bem estar". Aí a pessoa inverte o papel do dinheiro, onde o fato de ter dinheiro gera bem estar??? Pra quê, caral... digo, caramba!!!

Cada vez mais eu vejo que a vida é fácil, e são as pessoas que a complicam. Mas lançam um grau de complexidade que só a cabecinha humana mesmo pra gerar uma coisa dessas! A perversidade do nosso sistema é tão grande, que as pessoas nem se dão conta! Muita gente ou acaba perdendo a identidade, ou tendo que utilizar a mentalidade do sistema pra viver bem.

Agora fico lembrando das aulas de história, sobre os sistemas escravocatas das primeiras civilizações e me pergunto: somos tão diferentes deles? Um faraó usava milhares de pessoas pra erigir um monumento à sua pessoa, muitos morriam de exaustão, outros pelo açoite dos "capatazes". Hoje em dia a coisa não se repete de forma análoga, mas com ferramentas diferentes?

Algumas coisas me fazem acreditar que o Brasil e o mundo se encaminham para tempos melhores, e outras me fazem crer que só tende a piorar. Quem vai vencer o cabo de guerra, no fim das contas?

ps.: não sou socialista, tampouco defendo estes moldes de capitalismo. Tanto um como outro tendem a ser um desastre em mãos humanas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Questionamentos ao posicionamento da Universidade.

Olá pessoal,

Segue o email que recebi da COMGRAD-ECO:
Instituição Seleciona 2 Estagiários:
1. Ciências Sociais, Ciências Políticas e Economia
Funções exercidas:
- Pesquisa para subsidiar atuação de entidade;
- Elaborar pesquisa, gerar informações primarias;
- Elaborar, analisar e estruturar relatórios;
- Visão sistêmica, planejamento e organização.
Conhecimentos exigidos:
- Pacote Office
- SPSS
- NVIVO
- Nível avançado de inglês
2. Ciências Sociais, Ciências Políticas, Pedagogia, Psicologia
Pré-requisito: ênfase em Recursos Humanos
Funções exercidas:
- Diagnosticar vagas abertas, pesquisar, analisar e orientar os profissionais disponíveis para recolocação no mercado.
- Elaborar currículo lattes.
- Atendimento a cliente;
- Comunicação, planejamento e organização.
- Elaborar, analisar e estruturar relatórios;
Conhecimentos exigidos:
- Pacote Office
- Plataforma Lattes
- Nível avançado de inglês
Remuneração:R$ 450,00
Regime de estágio: 20 horas semanais
Interessados enviar currículo até dia 24/12/2010
Enviar para: crismenezes01@gmail.com
Devido às constantes vagas ridículas em termos ou de remuneração paga ou de pré-requisitos exigidos (ou a combinação de ambos), resolvi responder da seguinte maneira à COMGRAD.

Boa tarde,

A julgar pela descrição da vaga e pelos pré-requisitos, não deveria ser função da COMGRAD questionar esta empresa sobre o tipo de serviço a ser realizado na mesma?

Pelos pré-requisitos (claramente fora do escopo de estudantes que teoricamente ainda não possuem muita experiência de mercado) e pelas atribuições do cargo, esta vaga não se caracterizaria claramente como uma aquisição de mão-de-obra barata (estagiário) e que não proporciona ao aluno aprendizado direto?

Sem contar que o salário para os pré-requisitos é bem fora da realidade (já que os mesmos não irão contar com despesas tradicionais da CLT como INSS, 13º e férias).

É triste ver o caminho sufocante para os alunos da graduação que precisam estudar e trabalhar, e ainda mais quando nos remetem vagas com salários baixíssimos e cobrança de conhecimento de ferramentas que não compactuam com esse valor de remuneração (não falo especificamente desta vaga, mas de todas as outras que seguidamente nos remetem por email ou que aparecem no portal do aluno).

Desculpem pelo desabafo, mas é triste ver que a UFRGS/FCE não se coloca(m) entre a empresa e o estudante para tentar defender a parte mais fraca, ou pelo menos cobrar um pouco mais de seriedade por parte destas empresas. Principalmente vindo de uma universidade pública, que deveria claramente ter uma função diferencial na construção da nossa sociedade.

Atenciosamente,
Rafael Sawitzki

Só pra compartilhar, por hoje era isso.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Porto Alegre: eu NÃO amo!

Episódio de hoje: locomoção.

Porto Alegre, vulgo "POA", é uma cidade-exemplo no Brasil e na galáxia. Pretendo com essa "série" de posts, tratar de algumas das peculiaridades que tornam essa cidade um verdadeiro exemplo a não ser seguido.

E o primeiro deles é o meu preferido, pela simplicidade e facilidade de entendimento por parte do público, tenho certeza que é unanimidade o que irei falar: se locomover em POA é uma mer#@.

Toda cidade que tem a pretensão de crescer acima de 1 milhão de habitantes deve olhar para POA com muita atenção, caso pretenda dar a seus habitantes um pouco mais de tranquilidade.

Aqui temos exatamente 3 opções de locomoção: ônibus, moto e carro. PONTO. Alguém poderia dizer “ah, mas tem bicicleta também, que é até mais saudável”. E eu digo: bike não é uma opção saudável! Já repararam nos níveis de poluição? Existe infra-estrutura que permita se andar de bicicleta em algum trajeto maior que 100m? Existe educação suficiente por parte dos motoristas de veículos automotores para se andar de bike em segurança? O relevo da cidade permite trajetos relativamente grandes de bike? Tem lugar onde guardar ela no destino?

Não, podemos anular a bike como opção viável.

Agora vamos ao probleminha de escolher qual dos outros 3 meios utilizar.


Ônibus:
Ao meu ver deveria ser o mais utilizado, pois é a única opção de meio de transporte em massa. Quanto mais gente utilizar, teoricamente menos caos no trânsito, já que quem vai de ônibus, está tirando um ou meio carro da rua, normalmente. Mas aí temos passagens abusivas, falta de sincronia na cobertura e falta de pontos de conexão. Sem contar em vários ônibus velhos e que poluem acima da média, falta de horários compatíveis, lotação absurda em algumas linhas, demora ainda maior por causa da “tranqueira”, sentimento de insegurança ao se esperar em algumas paradas de bus, falta de conforto etc.

Então, levando tudo isso em consideração, algumas pessoas descontentes com a forma como as empresas de ônibus tratam seus passageiros, ou como a prefeitura/estado descuidam da segurança pública, precisam responder a seguinte pergunta para fugirem disso: compro um carro ou uma moto?

Moto:
É mais barato, mais econômico, mais prática pra estacionar/guardar. Mas tem alguns problemas... o que fazer quando chover? É segura? E o aparato que temos que levar pra tudo que é lugar (capacete, casaco a mais em dias mais frios, colete de sinalização agora, etc).

Então, vamos para a opção vencedora:

Carro:
Imponente, sinal de prestígio e sucesso profissional! Um carro é o sonho de consumo de muita gente. Facilita a nossa vida ter um, não? Não depender de ninguém, quase não se molhar quando chove, poder ir pro lugar que quiser na hora que quiser, é uma benção! Mas aí temos que abastecer, cuidar da manutenção, pagar seguro, colocar alarme, arranjar uma garagem em casa e um estacionamento pro serviço, ter que dar gorjeta pra flanelinha. Bom, mas digamos que você tem dinheiro suficiente pra tudo isso, não fará falta... aaah que coisa boa, sair do trabalho e ir pra casa, ligar a caranga, sair do estacionamento, dobrar à direita e “Biiiiiip, biiiiiip...” trânsito trancado, pessoas estressadas businando a todo segundo, barbeiragens, poluição e você ali cansado do dia de trabalho. Aí chove, e tudo tranca ainda mais!

É, não tem muita opção mesmo. Cada uma tem algo que vai te deixar extremamente irritado. O ideal seria pegar o metrô que ... hum, não tem metrô...

Que tal um trem elevado? É mais barato de construir, e ia desafogar muita coisa, né? Hummm, acho que não vai dar, não tem espaço pra fazer algo assim.

O jeito é continuar enlouquecendo da maneira que menos lhe agrida mentalmente. Eu particularmente vou de bus, não só por ser mais barato no fim das contas, e por ter um impacto ambiental menor (se o ônibus está ali mesmo eu não indo nele, é melhor eu ir com ele e contribuir pra tirar um carro ou uma moto da rua, não?) e também porque eu não tenho como comprar um carro. Nem tenho um motivo pra comprar um antes de ter um monte de outras coisas mais importantes pra mim.

O trânsito aqui está cada vez piorando mais. Mais carros e nenhuma solução pra melhorar o tráfego.

Belo exemplo de como não se planejar a malha viária de uma cidade.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O país do "rabo preso"

Em tempo de eleição, nos confrontamos mais uma vez com a volta (ou permanência) de diversos sacanas da política que nos acostumamos a ver/ouvir na TV, rádio e jornal.

Mas algumas pessoas diferentes das que estamos acostumadas foram eleitas!!! Demonstramos que queremos renovação!

Agora olhem quem foram essas pessoas: ex-jogadores, "famosos da TV" e humoristas sem quaisquer projetos.

O povo brasileiro não só imprimiu no nosso mapa um atestado de burrice, como insiste em dar uma retocada na tinta pra ficar bem forte e evidente esse atestado a cada 2 anos.

Por que isso vive acontecendo? Por que a cada ano parece que a coisa piora?

Lendo esse post do Samamba que fala de quantas pessoas precisamos para mudar o Brasil, vem a pergunta: se, na teoria, precisa tão pouca gente pra mudar muita coisa no país, por que isso sequer começa a acontecer?

O motivo do texto é falar apenas de um dos motivos, mas que ao meu ver é o mais grave de todos: os "rabos presos".

Por que um cara como o Sarney (que todo mundo sabe o que ele representa, não preciso listar os podres) continua no poder, e ainda por cima põe filha, filho, sobrinho e o escambal pra se eleger no Maranhão?

Pra mim ele é o cara que tem simplesmente o rabo mais bem preso na história recente do Brasil. O que quer que aconteça na política, quem quer que seja o presidente [até ele já foi (sic!)], esse camarada tá lá, do lado, como grande aliado. Como? Me parece simples, ele sabe que a maioria das pessoas tem um preço monetário.

Tem pessoas que não tem um preço que pode ser expressado em cifras, então é bem fácil resolver esse problema: é só oferecer outro preço. Alguém sempre tem um familiar que estima demais, ou uma reputação que qualquer sabotagem bem planejada pode ser facilmente arruinada. Essa vira a moeda de troca: a ameaça.

Agora, se o cabra é estupido o suficiente pra não aceitar nenhum desses pagamentos (na moeda dinheiro ou ameaça), entra a segunda opção: se não quer se unir você não poderá vencê-los. Não há quem ponha uma pessoa assim atrás das grades. Não tem nem como tirar do poder!!! A chance é tão pequena que eles garantem que qualquer um que queira/tente fazer isso, deixe de existir.

Então, o que as pessoas suficientemente espertinhas fazem? Se unem a uns assim. E assim seguirá: um grande bloco unido de canalhas se perpetuando no poder. E se reproduzindo lá, em alguns casos. Os partidos políticos e o sistema eleitoral no Brasil garantem que esse tipo de coisa continue: todo mundo é obrigado a votar, e, como muitos não tem consciência do que estão fazendo, votam em quem tem o jingle mais legal ou que eles já viram ganhar anteriormente. Afinal, ninguém quer votar num perdedor, né não?

Aí as doações pra campanha resultam em parceria público-privada: quem investiu em quem ganhou será recompensado de alguma maneira.

Se o governo e as empresas mais poderosas estão unidas, e muita gente sabe disso, qual é a melhor saída? Bater de frente? Não não não, sem heroísmos. O desgaste produzido por essa estratégia tende a arruinar a parte mais fraca.

Devemos tentar ir construindo uma fortaleza, do outro lado desse rio podre? E convencer os que se uniram a contragosto com o lado "vencedor" a ir mudando suas instalações para o outro lado, também? É uma opção. Como fazer isso? Olha... o primeiro passo (e o mais fácil) é não ir pro outro lado. Não se corromper, não se unir à quem faz parte do podre do sistema. E no meio do caminho ir encontrando uns e outros que tenham a mesma atitude, a mesma visão, e de repente tentar construir algo bom juntos.

Certamente não existe fórmula mágica. Muito menos instantânea. A melhor solução (pacífica e democrática) é lenta e gradual.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Candidatos à presidencia: Big Fails!!!

Queria deixar um humilde abraço a dois candidatos à presidência da República, que ao meu ver tiveram um feito histórico (caso os números de filiados da wikipédia estejam corretos):

EYMAEL - PSDC
Votos: 89.350 (0,09%)
Filiados do PSDC: 140.549

LEVY FIDELIX - PRTB
Votos: 57.960 (0,06%)
Filiados do PRTB 92.926

A piada tá implicita.

terça-feira, 16 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Não sei se sou só eu, mas algumas datas "comemorativas" não parecem fazer sentido. Como o dia internacional da mulher. As feministas que me perdoem, mas acho que entenderão aonde eu quero chegar com isso.

Se comemora uma coisa lógica? Precisa existir uma data pras pessoas lembrarem que as mulheres devem ter as mesmas condições, respeito e tratamento que os homens? Isso não deveria ser... tipo... óbvio?

Proponho a criação do dia mundial do óbvio! Pra se comemorar todas essas coisas clichês, que a maioria faz pra parecer politicamente correto. Porque, ao meu ver, esse tipo de data só "vinga" quando uma sociedade preconceituosa a implanta para tentar dizer que não o é.


Nesse caso, comemoramos um dia da mulher para dizer "hei, a gente trata as mulheres de igual pra igual, até demos um dia do ano para elas!" Prepotência e hipocrisia detected?

Sim, as mulheres sempre foram tratadas pela maioria da população masculina (e algumas vezes até por elas mesmas) de uma maneira injusta e desigual, mas uma data comemorativa só deveria existir no momento em que isso realmente acabar. E AINDA não aconteceu tal evento.

Então a data deveria mudar de categoria, e passar a ser um dia de luto, reflexão ou protesto. Até porque faz muuuuuito mais sentido, uma vez que o motivo da escolha do dia 8 de março tem suas raízes no protesto.

Portanto, não comemorem essa data. Façam dela o que ela realmente deveria ser, um dia de protesto. Pelo menos enquanto a coisa continuar do jeito que está.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Democracia até que ponto?

Como visto em post anterior, eu tenho um certo problema com a visão ultrademocrática de algumas pessoas. Vejo muita gente querendo que tudo seja decidido por vias democráticas: a maioria decide como serão as coisas para todos.

Mas como ficam as minorias? Como ficam os “dissidentes”? Eles devem engolir a decisão dos outros? Devem fugir do país e fundar uma nova pátria onde não serão punidos?

Discuti uma vez uma historinha bem simples e exagerada com um amigo, pra explicar o quão perigosa pode ser essa tentativa de levar a democracia ao pé da letra.

Imaginemos Porto Alegre. Agora imaginem que 51% da população de PoA seja gremista, e como bons gremistas, odeiam os colorados e tudo que possa representá-los. Pois bem, eis que os vereadores também se apresentam como maioria gremista (50%+ 1). Então eles decidem levar à votação uma lei que proíba qualquer um de ter carros vermelhos. Ninguém pode ter carro vermelho. Aí eles até fazem um desses referendos populares, que estão virando moda, e a maioria opte pelo “Sim” à lei. A lei é aprovada (porque 50%+1 dos vereadores é gremista, e votam a favor da referida lei).

Ótimo, ninguém mais pode desfilar com seus carros vermelhos, porque a população decidiu democraticamente por isso.

Quem ainda não percebeu que o exemplo foi irônico e insano, lamento pela minha falta de didática para apresentá-lo assim. Mas, enfim, entenderam onde eu quero chegar, não?

A democracia pode ser perigosa. As vezes até mais que uma ditadura. Na ditadura tu ainda pode ter a sorte (duvido muito, mas a possibilidade existe) de que o ditador seja uma pessoa benevolente. Nas escolhas democráticas, não. Tu é obrigado a aceitar que é minoria, e agir como os outros decidirem. E a maioria não é  benevolente. Ela quer impor sua vontade, como se ser a maioria fosse o suficiente para dizer que é dono da verdade.

Eu acredito muito mais na diplomacia que na democracia. Claro que, em algum ponto, a decisão do que fazer e exigir dos outros deve ser descentralizada, e alguma espécie de comissão aceite ou não o que foi decidido. O meio termo é diferente da vontade média. A tendência é que mais gente perca, mas que as perdas sejam reduzidas, caso ocorram.